Integração entre setores pode levar Brasil a ser nova potência mundial em meio a cenário global de instabilidades
O ex-ministro da Agricultura e embaixador do cooperativismo para o Fundo para Agricultura das Nações Unidas (FAO), Roberto Rodrigues, foi a estrela de um dos talk shows mais aguardados do 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred): Raízes do Futuro: um diálogo sobre liderança, agro e desenvolvimento. Com foco nas perspectivas abertas para o agronegócio brasileiro em um cenário que vem sendo chamado de “tempestade perfeita” — onde os conflitos internacionais aumentaram os custos da produção, mas abriram espaço para o redesenho da geopolítica global, abrindo espaço para o desenvolvimento de novas potências.
“Temos um cenário interessante se desenhando para os próximos anos”, explicou Rodrigues. “A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fez um estudo mostrando que, em 10 anos, a oferta mundial de alimentos precisa crescer 20% para atender às demandas da população. Parece fácil porque são 2% ao ano, mas o único país com potencial para atingir e superar essa meta é o Brasil. Os demais não conseguirão alcançar esse crescimento. Essa é uma oportunidade de ouro para o nosso país e para o cooperativismo.”
Hoje, o Brasil é o maior produtor e exportador global de alimentos. Somos os campeões de exportação em sete commodities: açúcar, café, milho, soja, suco de laranja, carne bovina e carne de frango.
“Eu vejo o Brasil crescendo ainda na produção de alimentos, e atendendo essa demanda mundial”, previu o embaixador da FAO para o cooperativismo. “Mas para que isso aconteça, o cooperativismo financeiro e o agropecuário precisam se unir para garantir o acesso ao crédito dos pequenos e médios produtores rurais.”
Rodrigues lembrou que, em uma crise como a que enfrentamos hoje, os bancos comerciais tendem a endurecer a oferta de crédito e aumentar os juros. “No cooperativismo é diferente”, argumentou. “A gente quer ajudar as pessoas a enfrentarem as crises; e por confiarmos nelas em momentos difíceis, elas se fidelizam e fazem questão de honrar o compromisso assumido conosco. Por isso, as taxas de inadimplência das cooperativas financeiras são as menores do mercado.”
CULTURA DA PAZ
Durante o talk show, Roberto Rodrigues foi entrevistado pela jornalista especialista em agronegócio Kelly Godói. Ao ser perguntado sobre como as cooperativas podem ajudar o campo e a cidade a trabalharem juntos para construir um futuro sustentável— tema do 16º Concred —, o ex-ministro da Agricultura foi enfático: ambos são partes de um mesmo organismo e têm a mesma importância para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
“O cooperativismo é a ponte que une esses dois mundos”, acrescentou. “Nós conhecemos de perto as pessoas e as comunidades onde atuamos. Por isso, conseguimos unir o campo e a cidade em torno de um objetivo comum: crescer de forma sustentável, cooperativa e sem deixar ninguém para trás.”
No final de sua apresentação, Rodrigues falou sobre a importância das cooperativas financeiras e agropecuárias para a promoção de uma cultura da paz.
“A produção de alimentos é um caminho seguro para atingir esse objetivo”, defendeu. “A fome é inimiga da paz, e semente da guerra. Alimento é vida. Essa é a chave. O Brasil já cultiva um terço dos alimentos do mundo e tem espaço para crescer e produzir mais. E ao fazermos isso, seremos campeões não só na produção de alimentos, mas na difusão de uma cultura de paz.”
SOBRE O CONCRED
O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.