Palestra no 16º Concred destacou evolução rápida da tecnologia e necessidade de adaptação para valorizar potencial humano 

O surgimento da inteligência artificial acelera todos os processos ao seu redor, o que faz com que o papel do ser humano no mercado de trabalho seja radicalmente modificado. Na avaliação de Silvio Meira, fundador e cientista chefe da TDS Company, será necessário criar uma nova gramática do trabalho, tendo o ser humano como prioridade. 

“Até 2022, eram duas dimensões da inteligência: a individual e a social. Quando a inteligência artificial entra no cenário, apesar de ser tecnologia, surge uma nova dimensão da inteligência que causa rupturas nada triviais”, avaliou Meira em palestra nesta quinta-feira (27) no 16º Congresso Brasileiro de Cooperativismo de Crédito (Concred), em Goiânia.  

Repensar o papel do trabalho humano na era da IA será particularmente desafiador em um segmento como o financeiro, onde a tecnologia pode assumir 93% das atividades do setor.

“Com a inteligência artificial, passamos a automatizar os processos de classificar, resumir, prever e criar. Nosso trabalho humano passa a ser o de projetar, testar, integrar, auditar e questionar. Uma nova gramática do trabalho precisa ser construída priorizando humanos”, completou Meira.

IMPACTO E RESPOSTAS 

Na avaliação do especialista, a sociedade ainda sabe pouco sobre a evolução dessa tecnologia, e é preciso se antecipar com estratégia. Meira lembrou que a IA surgiu há 75 anos, com a publicação do primeiro paper sobre o tema, em outubro de 1950. Mas que, nos últimos anos, tem transformado de forma acelerada todos os processos ao seu redor.

“A inteligência artificial pode ser usada para abstrair e para dar respostas para nossos problemas. Ela pode concretizar soluções. É uma imitação algorítmica, um processo cognitivo repetitivo.” 

Meira apresentou os 9 estágios de impacto da inteligência artificial nas organizações:

Inteligência descritiva: o que está acontecendo

Inteligência de diagnóstico: por que está acontecendo?

Inteligência preditiva: o que provavelmente vai acontecer

Inteligência prescritiva: o que devemos fazer

Inteligência para decisão: quando a IA auxilia na tomada de decisão 

Inteligência aumentada: IA toma decisão com humanos

Inteligência autônoma: passa a tomar decisões por humanos

Inteligência adaptativa: a IA aprende, se adapta e melhora

Inteligência estratégica: IA define, se adapta e executa

De acordo com o palestrante, estudos indicam que, para não ficar obsoletas, as organizações devem alcançar o estágio de inteligência prescritiva até 2030. O caminho para acompanhar essa transformação, segundo Meira, é ter o olhar curioso e começar a agir.

“Estamos vendo só o começo de uma jornada muito transformadora. Daqui uns anos nós vamos nos perguntar: ‘Como é que a gente não fez isso antes?’”. 

SOBRE O CONCRED 

O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.