Painel com representante do BC destacou uso de geotecnologia, riscos climáticos e novas exigências para financiamento do campo 

Conhecer melhor o produtor, acompanhar as operações e usar a tecnologia para identificar riscos estão entre as estratégias que podem ajudar as cooperativas de crédito a ampliar a sustentabilidade das finanças no setor agropecuário. O tema foi discutido em painel com Cláudio Filgueiras Pacheco Moreira, chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop) do Banco Central, durante o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred). 

Realizado em Goiânia, o evento reúne especialistas e lideranças para discutir os desafios e as oportunidades do cooperativismo financeiro no campo e na cidade. “Sustentabilidade e estabilidade financeira são indissociáveis”, afirmou Moreira. 

Para garantir que critérios sociais, ambientais e climáticos sejam considerados adequadamente na avaliação de crédito rural, o representante do BC destacou o uso de geotecnologias. Com o cruzamento entre a localização das propriedades e uso de imagens de satélites, é possível acompanhar alterações no território e o uso do solo – como desmatamentos – ampliando a capacidade de verificar dados. 

“Por que usar a geotecnologia? Porque ela ajuda a reduzir a assimetria de informações”, explicou. No Banco Central, o tema tem ganhado relevância com o desenvolvimento de iniciativas como o Projeto Geotec, voltado à capacitação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) para o uso sistemático de sensoriamento remoto; e de um convênio com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

Além das ferramentas disponibilizadas pelo BC, Moreira destacou que o uso desse tipo de recursos tecnológicos para subsidiar a análise de crédito está mais acessível.

“Hoje existem satélites de uso público. [É possível] identificar e medir a qualquer hora.” O desafio, segundo ele, é transformar essas informações em conhecimento para apoiar as decisões. “Precisamos e devemos entender as tecnologias e usá-las a nosso favor, sem esquecer que a capacidade humana ainda é presente”, afirmou. 

REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL

Durante o painel, Moreira também ressaltou que a sustentabilidade é uma exigência regulatória no sistema financeiro e citou a Resolução CMN nº 5.252/2025, relacionada a ativos e passivos sustentáveis, e a Resolução CMN nº 5.303/2026, que trata de impedimentos sociais, ambientais e climáticos para a concessão de crédito rural. As duas entrarão em vigor em 2027. 

Segundo ele, o Banco Central já está avaliando os impactos das normas para as cooperativas e deve apresentar uma análise preliminar sobre a regularização ambiental em setembro. A medida deve permitir que as instituições conheçam antecipadamente os efeitos das mudanças e tenham tempo para fazer os ajustes necessários.

“Vamos divulgar todas as informações para que o mercado financeiro, inclusive as cooperativas, consigam acompanhar as próximas exigências e façam os ajustes”. 

PAPEL DO COOP

O apresentador do painel e vice-presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), Donizetti José, perguntou a  Moreira o que o Banco Central espera das cooperativas de crédito em relação às finanças sustentáveis. Em sua resposta, ele destacou que a sustentabilidade vai além de questões ambientais e impacta também a gestão de riscos.

“As cooperativas precisam conhecer o cliente e acompanhar de perto sua atividade, considerando a estrutura utilizada pelo produtor, o nível de tecnificação, os investimentos e as formas de mitigação dos riscos”.

O representante do BC também defendeu uma atuação preventiva, com diálogo com as cooperativas antes que os problemas se agravem. “Se pudermos educar previamente, é muito melhor. A gente sempre fala: nos procure para conversar. É melhor conversar e discutir do que achar um problema que complique a vida de todos”, afirmou.

SOBRE O CONCRED 

O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.