Gestor destacou protagonismo do setor e listou temas de atenção para manter crescimento sustentável e alinhamento à regulação
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou hoje (27) que as cooperativas têm desafios proporcionais à sua relevância no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e precisam estar atentas aos riscos para seguir entregando produtos e serviços de qualidade a milhões de brasileiros que confiam no segmento. A avaliação foi feita durante palestra no 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), realizado em Goiânia.
Para uma plateia lotada, Aquino destacou que o cooperativismo de crédito assumiu um papel de protagonismo nos últimos 15 anos e chegou a um momento de grande força econômica nacional, com R$ 1 trilhão em ativos totais e crescimento de 55% nos últimos anos. O representante do BC também citou o recorde de 21 milhões de cooperados e os 9,8 mil pontos de atendimento físico que garantem a presença do cooperativismo financeiro em todos os estados.
“As cooperativas são instituições de grande impacto social e econômico nas comunidades. São entidades que reinvestem suas sobras na comunidade e democratizam o crédito”, afirmou Aquino. “Mas, e agora? Qual o próximo passo?”, questionou aos presentes.
Na avaliação de Aquino, apesar do bom momento, as cooperativas de crédito precisam estar atentas a alguns riscos, entre eles:
Inadimplência: é elevada na população brasileira. As cooperativas têm quase 10% de inadimplência no crédito rural.
Concorrência: pressão grande exercida por outras instituições bancárias. Cooperativas precisam estar atentas a sua própria sustentabilidade: como manter a presença física nas comunidades a um custo aceitável.
Ineficiência operacional: apesar da grande capacidade do segmento de atuar em conjunto, a intercooperação ainda é incipiente
Governança deficiente: cooperativas precisam estar atentas a conflitos de interesse, decisões intempestivas e sucessão inadequada de lideranças.
Empréstimo pessoal não consignado: o Banco Central está preocupado com o crescente endividamento das famílias brasileiras. O cooperativismo registra 7% de inadimplência entre empréstimos não consignados
Cartão de crédito: cooperativas precisam trabalhar com uma política de limites responsáveis e devem ter compromisso com a educação financeira de seus cooperados.
Para Ailton de Aquino, o ponto central do debate é a educação financeira e a necessidade de reforçar o olhar para o endividamento.
“A prevenção do superendividamento exige que o Sistema Financeiro Nacional enxergue o cidadão antes da operação. E quem mais tem capacidade de fazer isso são as cooperativas por causa da proximidade com o cooperado. As cooperativas financeiras têm essa responsabilidade”, ressaltou.
NOVAS REGRAS DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO
O diretor também falou brevemente sobre a Resolução Conjunta nº 14/2025, do Banco Central do Brasil e do Conselho Monetário Nacional, que redefine a metodologia para apuração do limite mínimo de capital social integralizado e de patrimônio líquido de instituições financeiras e autorizadas.
Na avaliação dele, a norma foi uma oportunidade do setor de crescer e sair mais forte, com o processo de redução e consolidação de cooperativas. “Ficaram as cooperativas que prestam bons serviços para os cooperados acima de interesses individuais de dirigentes.”
SOBRE O CONCRED
O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.