Macroeconomia, regulação, segurança jurídica e impacto social estão entre os temas que serão debatidos 

O cooperativismo de crédito ampliou sua presença no mercado financeiro e também a rede de atendimento pelo país. Em 2025, de acordo com o  Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), divulgado pelo Banco Central, o número de unidades físicas chegou a 10.553, crescimento de 3,2% em um ano. A presença das cooperativas também alcançou 59% dos municípios brasileiros, ante 58% em 2024.

O avanço traz questões que vão além do crescimento da carteira e da expansão da rede. Como acompanhar as mudanças no mercado financeiro? Como lidar com novas exigências regulatórias e manter a solidez das instituições? E como comunicar o papel das cooperativas e ampliar seu impacto junto aos cooperados? Esses são alguns dos assuntos que estarão no 5º eixo do 16º Concred, “Cenário, estratégia e sustentabilidade do SNCC”. 

Para o presidente da Confebras, Luiz Lesse, discutir esses temas é parte do esforço para preparar o cooperativismo de crédito para os próximos anos. “Os grandes desafios do cooperativismo de crédito exigem reflexão coletiva. O Concred é o espaço onde esse diálogo acontece e se transforma em conhecimento para todo o setor”, afirma.

A programação do eixo reúne quatro frentes: macroeconomia e mercado financeiro; regulação, capital e estabilidade; segurança jurídica e tributária do Ato Cooperativo; e comunicação, educação financeira e impacto social.

MACROECONOMIA E MERCADO FINANCEIRO 

O tamanho alcançado pelo cooperativismo de crédito aumenta também a influência das condições econômicas sobre as decisões do setor. Em 2025, a carteira de crédito do SNCC cresceu 13,1%, embora o ritmo tenha perdido força ao longo do ano. O resultado ficou acima da expansão registrada pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O período também foi marcado por maior pressão sobre os custos de captação e compressão das margens das cooperativas. Ao mesmo tempo, o segmento manteve sua importância no financiamento da atividade econômica, especialmente para pessoas físicas, produtores rurais e micro, pequenas e médias empresas.

É nesse ambiente que entram as discussões sobre macroeconomia e mercado financeiro. Juros, inflação, condições de crédito e custo de captação interferem diretamente no planejamento das instituições e nas decisões tomadas pelas cooperativas.

REGULAÇÃO, CAPITAL E ESTABILIDADE

O crescimento do setor também exige atenção à capacidade financeira das instituições. Segundo o Panorama do SNCC, o capital regulamentar agregado das cooperativas supera em 83% o capital exigido pelos ativos ponderados pelo risco. A margem de capital é de R$ 60,1 bilhões.

SEGURANÇA JURÍDICA E TRIBUTÁRIA

A segurança jurídica e tributária do Ato Cooperativo também está entre os temas do eixo. A discussão ganha importância à medida que o cooperativismo de crédito amplia sua participação no mercado e sua presença em diferentes regiões do país.

Em 2025, as cooperativas passaram a estar presentes fisicamente em 59% dos municípios brasileiros. O número de municípios que tinham sede ou posto de atendimento de uma cooperativa, mas não contavam com agência bancária, também aumentou: eram 1.072 ao final do ano.

Luiz Lesse, destaca a importância de um ambiente jurídico e tributário adequado às características do modelo. “A segurança jurídica é fundamental para que as cooperativas possam planejar seus investimentos, ampliar sua atuação e continuar contribuindo para o desenvolvimento das comunidades onde estão presentes”, afirma. 

CONHEÇA ALGUNS PALESTRANTES DO EIXO

MICHEL ALCOFORADO

Doutor em Antropologia do Consumo, autor best-seller e colunista de O Globo e da CBN, Michel Alcoforado é fundador do Grupo Consumoteca e criador do podcast “É Tudo Culpa da Cultura”. Com mais de 800 palestras realizadas no Brasil e no exterior, investiga o comportamento humano para compreender o que está por trás das escolhas de consumidores, equipes e marcas. No 16º Concred, apresenta “Tendências de consumo — impactos nas cooperativas de crédito”, trazendo dados e reflexões sobre as transformações culturais que influenciam o mercado, as organizações e o comportamento dos consumidores. 

AILTON DE AQUINO SANTOS

Diretor de fiscalização e membro da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil desde 2023, é servidor de carreira do BC desde 1998. Ao longo da trajetória na instituição, ocupou funções como chefe do Departamento de Contabilidade, Orçamento e Execução Financeira, auditor-chefe e chefe-adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro. No 16º Concred, participa com a palestra “Sistema financeiro em transformação: resiliência e sustentabilidade do cooperativismo de crédito em um contexto de desafios organizacionais e macroeconômicos”, contribuindo para o debate sobre os caminhos do setor diante das mudanças no cenário econômico e financeiro. 

HENZI OZI CUKIER

Cientista político, professor e conhecido como Professor HOC, Heni Ozi Cukier é uma das referências brasileiras em geopolítica, relações internacionais e análise de cenários globais. Com experiência em organismos como a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos, é fundador da HOC Content e coordenador da pós-graduação em Geopolítica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Na palestra magna “Cenários Globais e os Impactos da Geopolítica no Mundo dos Negócios”, Heni aborda geopolítica, economia internacional, estratégia e riscos globais, traduzindo temas complexos para a realidade das empresas e da tomada de decisões.

Sobre o Concred 

O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.