Um museu que atravessa a origem da Terra, um complexo assinado por Oscar Niemeyer e um parque com mais de 90 anos de história ficam a poucos minutos um do outro na capital goiana 

Basta percorrer algumas das avenidas largas do plano original de Goiânia para perceber que a cidade foi desenhada antes de ser construída. Os canteiros extensos, os bosques que interrompem o asfalto e a distância entre os quarteirões revelam um projeto urbano que raramente aparece nos roteiros turísticos do Centro-Oeste, mas pode ser conhecido em trajetos curtos pela capital.

Entre 26 e 28 de agosto, a cidade recebe representantes do cooperativismo de crédito de todo o país para o 16º Concred, realizado na PUC Goiás. Quem acompanha a programação do evento costuma ter pouco tempo entre um painel e outro, mas ainda assim é possível conhecer alguns dos espaços que ajudam a contar a história de Goiânia.

O Memorial do Cerrado, instalado no próprio campus da PUC Goiás, o Centro Cultural Oscar Niemeyer, a poucos quilômetros dali; e o Bosque dos Buritis, parque que nasceu junto com a fundação da capital. 

MEMORIAL DO CERRADO

Foto: Divulgação Instituto do Trópico Subúmido

O Memorial do Cerrado ocupa o Campus II da PUC Goiás, o mesmo espaço que vai reunir os participantes do 16º Concred em agosto. O complexo é um dos projetos do Instituto do Trópico Subúmido e apresenta diferentes fases da ocupação do bioma, da formação geológica do planeta à chegada dos portugueses ao Brasil.

No Museu de História Natural, painéis e cenários narram essa trajetória evolutiva, com fósseis datados de até 600 milhões de anos expostos ao visitante. O percurso começa pela formação geológica da região antes de avançar para os núcleos dedicados à ocupação humana do cerrado.

O memorial também conta com uma trilha de dois quilômetros, aberta em meio a um remanescente de mata nativa. Eleito em 2008 como o lugar mais bonito de Goiânia, o espaço funciona hoje como ponto de visitação aberto ao público, o que facilita passeios para quem estiver na região durante os dias do congresso. Vale a pena dar uma passadinha por lá na hora dos intervalos. 

CENTRO CULTURAL OSCAR NIEMEYER

Foto : Silvio Quirino

A poucos quilômetros do campus, na região sudoeste da capital, fica o Centro Cultural Oscar Niemeyer, projetado pelo arquiteto que dá nome ao complexo. Além de reunir aspectos culturais da cidade, o espaço receberá o Integração Juventude, que faz parte da programação do 16º Concred. Os goianos apelidaram o espaço de “Nie”, abreviação que se incorporou ao vocabulário da cidade e hoje identifica o conjunto tanto quanto seu nome oficial.

O complexo se organiza em torno da Esplanada da Cultura Juscelino Kubitschek, uma praça de concreto com 26 mil metros quadrados destinada a exposições, shows e apresentações artísticas. Os quatro edifícios têm funções distintas e exploram diferentes soluções arquitetônicas, unidos pelo contraste de materiais e cores característico da obra de Niemeyer.

A Biblioteca Bernardo Élis ocupa uma caixa de vidro fumê com três pavimentos sobre pilotis e um auditório para 135 pessoas. Ao lado, o cilindro branco do Museu de Arte Contemporânea (MAC) reúne galerias, salas administrativas e espaço para mostras temporárias em quatro mil metros quadrados. 

O Palácio da Música Belkiss Spenziere segue a curvatura característica da arquitetura de Niemeyer e abriga um teatro para 2,5 mil pessoas, com fosso para orquestra e camarotes para quase 300 espectadores. Já o Monumento aos Direitos Humanos é uma pirâmide vermelha de 36 metros de altura, com auditório próprio e jardim de inverno na base.

BOSQUE DOS BURITIS

Foto: Amma

O Bosque dos Buritis nasceu junto com a própria Goiânia. O parque fazia parte da planta original da cidade, desenhada na década de 1920, e foi inaugurado em 24 de outubro de 1933, data que marca a fundação da capital. Com mais de 140 mil metros quadrados, tornou-se o primeiro patrimônio paisagístico goianiense, pensado tanto para preservar fauna e flora nativas quanto para oferecer lazer à população.

O espaço reúne o Museu de Artes de Goiânia (MAG), primeiro museu público de artes plásticas do Centro-Oeste, aberto em 1970, e o Centro Livre de Artes (CLA), que oferece cursos gratuitos de pintura, dança e desenho à população. Um orquidário com espécies nativas também integra a área cultural do bosque.

Três lagos artificiais, cercados por passarelas e pequenas quedas d’água, dividem espaço com patos, aves aquáticas e um pirarucu de cerca de dois metros que vive no lago principal. Trilhas entre árvores centenárias e uma pista de caminhada de 2,5 quilômetros oferecem opções para quem busca uma pausa ao ar livre durante a visita. No centro do bosque, o Monumento à Paz Mundial, do artista goiano Siron Franco, guarda amostras de terra de diferentes países, adicionadas periodicamente desde a instalação da obra. 

TRAJETO CURTO

Nenhum dos três endereços fica a mais de vinte minutos de distância um do outro de carro. Em um mesmo percurso, é possível conhecer fósseis e reconstruções históricas do cerrado, obras de Oscar Niemeyer e um dos parques mais antigos de Goiânia. Para quem estiver na cidade durante o 16º Concred, os três locais oferecem uma alternativa de passeio entre um compromisso e outro, sem exigir grandes deslocamentos.