Representantes do Desuc alertaram sobre riscos e defenderam fortalecimento da governança para manter crescimento sustentável

Uma edição especial do BC UNEVozes, realizada durante o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), em Goiânia, aproximou ainda mais as cooperativas do Banco Central. Desenvolvido pela Confebras, o projeto conecta o segmento ao órgão regulador em um diálogo aberto, que ganhou força com a participação direta do público presente no Centro de Convenções PUC Goiás.
O chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (Desuc), Adalberto Felinto da Cruz Junior, e o chefe adjunto, Ivens Aruã Neves de Miranda, interagiram com os congressistas e destacaram o crescimento do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) e os desafios que acompanham essa evolução.
“O cooperativismo cresceu a taxas chinesas nos últimos anos. Mas esse crescimento coincide com a confluência de riscos de natureza geopolítica, tecnológica, de liquidez, de crédito e inadimplência. É um ciclo de adversidades no mundo todo”, ponderou Felinto. O representante do BC recomendou que as cooperativas de crédito se preparem para mitigar os problemas desse cenário complexo e afirmou que a estratégia de apoio ao cooperativismo, pelo Banco Central, é sistêmica e holística.
Ao comentar a trajetória de crescimento do SNCC, que recentemente alcançou R$ 1 trilhão em ativos, Miranda deu um recado aos dirigentes de cooperativas presentes na plateia:
“Um gestor não pode dirigir instituições olhando pelo retrovisor. Não é porque deu certo no passado que vai continuar dando certo. Tem de dirigir olhando para frente, para ver se tem uma curva ou se tem um buraco que ele precisa desviar”, afirmou.
Segundo ele, os resultados conquistados nos últimos anos trouxeram também mais responsabilidade e exigiram maior maturidade dos dirigentes, pois vêm acompanhados de riscos. “É preciso ter muito cuidado, porque as cooperativas de crédito cuidam de bens muito importantes para as pessoas: o dinheiro que elas poupam”.
GANHOS E DESAFIOS
Em sua apresentação, Miranda citou os quatro fatores que, na avaliação do Banco Central, contribuíram para o crescimento do segmento cooperativo de crédito nos últimos anos: apoio regulatório; modelo centrado no cooperado; expansão em territórios carentes e apoio ao agronegócio e a micro e pequenas empresas.
Já entre os vetores de risco para o setor, estão: endividamento e inadimplência; pressão no agronegócio com eventos climáticos e preços de commodities; deterioração da carteira com eventos de stress no sistema financeiro; risco cibernético e recuperações judiciais.
Segundo o chefe-adjunto do Desuc, os problemas não nascem grandes, mas crescem quando ignorados. Por esse motivo, ele indica que, a qualquer sinal precoce nas cooperativas, haja uma gestão preventiva que consiga corrigir rumos e rotas a tempo. “Os riscos estão se materializando. O que era impensável há alguns anos, hoje já começa a existir. É por isso que uma resposta institucional robusta é indispensável”, avaliou.
Miranda também conversou com a plateia cooperativista sobre o papel da governança para a sustentabilidade do SNCC e afirmou que a melhora contínua não pode ser encarada como custo, e sim como um valor.
“A governança tem de ser tratada com muito cuidado pela cooperativa, com responsabilidade, tendo atenção para a sucessão e a renovação de quadros. É preciso investir em controle e auditoria. O risco cibernético é um problema de governança. É uma área que não se pode terceirizar”, reforçou.
O representante do BC também citou a transparência como um valor fundamental para o ecossistema cooperativo. “A informação fidedigna é inegociável. Tanto a gestão quanto os demonstrativos contábeis devem refletir a realidade”, afirmou. Por fim, destacou que a autoridade reguladora não pode ser vista como um adversário. “O diálogo constante com o Banco Central reduz o risco de medidas extremas, como liquidações extrajudiciais”, explicou.
DIÁLOGO PERMANENTE
O projeto BC UNEVozes é realizado regularmente pela Confebras com encontros online entre representantes do Banco Central e das cooperativas de crédito. Em mais de dez edições, a iniciativa já tratou de temas ligados à regulação, supervisão, sustentabilidade, segurança cibernética e educação financeira. A edição especial durante o 16º Concred foi mediada pelo diretor da Confebras, Celso Ramos Régis.
SOBRE O CONCRED
O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.