Parceiros de tecnologia, seguros e consórcios defenderam atuação em conjunto para fortalecer cooperativismo de crédito 

“Intercooperar é ajudar um ao outro a entender o país e a avançar”. A frase – que resume bem o 6º princípio do cooperativismo – é do superintendente comercial da Tecban, Marcelo Mafra, que participou na manhã desta sexta-feira (28) do painel Intercooperação que escala: infraestrutura compartilhada, negócios e sustentabilidade do SNCC, durante o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), em Goiânia.

Para ele, o cooperativismo se destaca por entender que a economia real acontece junto às pessoas e comunidades. Essa proximidade faz o cooperativismo financeiro ganhar escala, mas, ao mesmo tempo, implica um custo operacional alto. E aí entra o papel da intercooperação: buscar e desenvolver soluções conjuntas para desafios em comum. 

Mafra citou o exemplo de dois bancos e duas cooperativas de crédito que viram a queda transacional impactar em suas operações e decidiram criar um sistema interligado de caixas eletrônicos. Experiências como essa poderiam ser replicadas por mais cooperativas brasileiras com o apoio de instituições parceiras.

“Poderíamos ter uma rede conjunta de máquinas de ATM. A Tecban tem essa tecnologia para disponibilizar para vocês. É preciso focar na intercooperação, testar e verificar como o modelo se daria na prática”, sugeriu.

NOVAS PERSPECTIVAS PARA SEGUROS

Presente no mesmo painel, o diretor técnico agro da Mapfre, Flávio Damasceno, explicou que as empresas seguradoras também são parceiras essenciais do cooperativismo financeiro para garantir a proteção de um segmento que já supera R$ 1 trilhão em ativos. 

Segundo ele, ainda há espaço relevante para ampliar a proteção no cooperativismo, em especial no agronegócio, em que 88% do crédito rural não está coberto. Damasceno explicou que o risco mudou e que, com isso, a forma de proteção também teve de se adaptar. Ele citou como exemplo o agravamento dos eventos climáticos. “O clima não escolhe. O risco é sistêmico e a resposta também precisa ser sistêmica”, avaliou.

Para Damasceno, é preciso transformar o cooperativismo de crédito em um mercado mais resiliente, garantindo crescimento sustentável nos próximos anos a partir da união das competências e habilidades do cooperativismo e do mercado de seguros. 

“O cooperativismo de crédito conhece bem o seu cooperado. É preciso reunir essa capacidade com as capacidades da seguradora, trocar mais informações para ter uma base de dados mais robusta e chegar a soluções mais adequadas para o cooperado”, avaliou. “O crédito impulsiona. O seguro protege. O cooperativismo transforma”, concluiu.

O vice-presidente corporativo da Icatu Seguros, César Saut, afirmou que o Brasil é um país complexo e defendeu que a sociedade civil organizada deve ser a responsável por desenvolver a nação, e não o Estado. Para ele, cooperativas têm que transformar a sociedade com base em seus princípios e valores.

“Empreendimentos extraordinários são consequência da alocação de empatia mais do que capital. A centralidade tem de estar nas pessoas”, argumentou.

O PAPEL DO CONSÓRCIO 

O consultor Everton Papaleo, representante da Embracon – outra empresa parceira das cooperativas financeiras – defendeu a necessidade de ressignificar o consórcio como uma estratégia de alavancagem patrimonial dos cooperados. Na avaliação dele, não se trata apenas de um produto financeiro, mas de uma ferramenta de planejamento. 

“O consórcio ajuda a transformar planos em conquistas de curto, médio e longo prazo e é um estímulo à disciplina financeira. Além disso, gera resultado para o cooperado e aumenta a receita da cooperativa.” 

SOBRE O CONCRED 

O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.