Especialista destacou impacto das cooperativas para a manutenção da riqueza nas comunidades e desenvolvimento do interior do Brasil 

O agronegócio brasileiro tem espaço para continuar crescendo nos próximos anos e deve abrir novas oportunidades para o desenvolvimento econômico do país e para o cooperativismo financeiro. Essa foi uma das principais mensagens do professor e especialista em agronegócio Marcos Fava Neves, o Doutor Agro, durante palestra realizada nesta quinta-feira (27) no 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), em Goiânia.

Ao apresentar um panorama sobre o futuro do setor, Neves destacou a transformação do Brasil, que em 35 anos passou de importador de alimentos a uma das principais potências agrícolas do mundo. Para ele, o crescimento da demanda mundial por alimentos, proteínas e bioenergia coloca o país em uma posição estratégica, com impactos que vão muito além das propriedades rurais.

“Nós temos muitos problemas para resolver, mas continuo confiante de que o mercado mundial segue crescendo e o Brasil é a plataforma mais apta para esse crescimento”, analisou. Segundo o especialista, o aumento da produção de grãos, carnes e biocombustíveis gera investimentos, empregos e renda nas cidades, criando demandas por crédito e serviços financeiros – que poderão vir das cooperativas.

AGRO MOVIMENTA ECONOMIAS LOCAIS

Um dos exemplos apresentados por Neves foi o avanço da bioenergia no interior do país. A instalação de usinas de etanol, especialmente de milho, tem provocado mudanças nas regiões onde esses empreendimentos chegam, com investimentos em infraestrutura, incremento na produção agropecuária e geração de energia.

Para o especialista, esse movimento cria polos econômicos e amplia o mercado para as cooperativas de crédito. “O consumo mundial de soja aumentou, em média, 12 milhões de toneladas por ano nos últimos dez anos e, nos últimos três, pulou para 18 milhões. O consumo mundial de milho aumenta 30 milhões de toneladas por ano. O agro, hoje, conta com 242 milhões de hectares no Brasil e, na minha opinião, vai aumentar 20 milhões nos próximos 10 anos”.

Neves também citou o caso de Quirinópolis (GO), onde a instalação de usinas de cana-de-açúcar foi acompanhada por forte crescimento do número de empresas no município. O exemplo, segundo ele, ajuda a demonstrar como os investimentos no agro podem produzir efeitos em toda a economia local. “É um Brasil que está demandando crédito para fazer cada vez mais outras atividades”, destacou.

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Cooperado do sistema cooperativista de crédito, Doutor Agro também defendeu o modelo como uma ferramenta importante para que a riqueza gerada pelo agronegócio permaneça e circule nas comunidades.

Ao falar sobre experiências como a da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), de Minas Gerais, o especialista destacou a capacidade das cooperativas de conectar pequenos e grandes produtores aos mercados nacional e internacional. Para ele, a diferença está também na distribuição dos resultados entre milhares de cooperados.

“Uma coisa é uma multinacional com sede no Brasil, de um, dois, três donos. Outra coisa é uma que tem 20 mil donos. O recurso vem para cá, cai na mão dos 20 mil e vai para o comércio das cidades onde elas estão”, afirmou.

Na avaliação de Neves, essa característica amplia o impacto econômico do cooperativismo e reforça a importância de as instituições financeiras cooperativas compreenderem as transformações que acontecem no campo e nas cidades.

JUVENTUDE E FUTURO

Outro ponto destacado pelo especialista foi a necessidade de aproximar o cooperativismo das novas gerações. Em contato frequente com estudantes e jovens profissionais, Neves contou que esse público ainda conhece pouco o setor, mas que, ao mesmo tempo, percebe uma grande receptividade, principalmente por se tratar de uma geração que cresceu em contato com temas como sustentabilidade e responsabilidade social.

“Nós estamos perante um grande potencial de explicar para a sociedade, especialmente essa juventude que vem com um padrão ESG no sangue, do que que é o privilégio de participar do cooperativismo de crédito”, afirmou.

A renovação também se relaciona com o futuro do próprio agronegócio. Neves chamou a atenção para o contraste entre o cenário brasileiro e o de outros países, onde o envelhecimento dos produtores e a falta de sucessores representam desafios para a continuidade das atividades. No Brasil, segundo ele, a presença de jovens no setor e a integração entre diferentes gerações são sinais positivos.

SOBRE O CONCRED 

O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é realizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.